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Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados
Cultivo de Amendoim

Empresas Associadas

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TEXTO DO BOLETIM 200 DO IAC – Edição 2014

Planta herbácea anual, da família Leguminosae, cujas sementes contêm ao redor de 25% de proteína e 45 a 50% de óleo comestível. A espécie é cultivada em diversos países ao redor do mundo, nos hemisférios norte e sul, tanto por pequenos agricultores familiares como por produtores com alto nível tecnológico. Em alguns países asiáticos, a produção de amendoim destina-se para óleo, utilizado em culinária. Em países ocidentais, inclusive o Brasil, o produto é utilizado prioritariamente como alimento, no mercado de confeitaria.

A planta de amendoim tem como característica peculiar a produção de frutos subterrâneos. A flor, uma vez fertilizada, emite um pendão ou esporão (ginóforo) que cresce em direção ao solo, penetrando-o. O ovário fertilizado, localizado na ponta do esporão, desenvolve-se nessas condições, sob a superfície do solo, formando a vagem.

A espécie, típica de climas quentes, adapta-se a uma ampla faixa climática em regiões tropicais e subtropicais, com exceção das excessivamente úmidas, e desenvolve-se bem em regiões ou estações de cultivo em que as temperaturas mínimas não fiquem abaixo de 15ºC. Com nível adequado de fertilidade, os solos de textura leve e bem drenados são os preferíveis para o seu cultivo, porém pode ser cultivado também em solos com certo teor de argila.

Cultivares

Estes são os cultivares IAC atualmente recomendados para plantio:

IAC Tatu ST: Indicado para cultivos familiares, em sistema semi-mecanizado; a planta é de porte ereto, tipo Valência, ciclo de 90 a 110 dias, vagens com três a quatro sementes de tamanho pequeno e película vermelha; potencial produtivo: até 4.500 kg ha-1 de vagens; em São Paulo, atende a uma demanda de pequena escala, nicho de mercado para amendoins comercializados em casca ou descascados crús.

IAC 503: Indicado para sistemas tecnificados, porte rasteiro, moderadamente resistente a doenças foliares, ciclo de 140 dias; vagens com duas sementes alongadas de tamanho médio a grande, sementes de cor castanho claro; potencial produtivo de até 6.500 kg ha-1 de vagens; as sementes possuem a característica “alto oleico” (ao redor de 80% deste ácido graxo, responsável por propiciar ao produto um “período de prateleira” mais longo).

IAC 505: Indicado para sistemas tecnificados, porte rasteiro, moderadamente resistente a doenças foliares, ciclo de 130 a 140 dias; vagens com duas sementes de tamanho médio (padrão comercial Runner), película castanho claro; potencial produtivo: até 6.500 kg ha-1; este cultivar destaca-se pelo teor de óleo mais alto que outros cultivares (cerca de 50%), tornando-o atraente tanto para o mercado de alimentos como para projetos voltados para a produção de óleo; as sementes possuem a característica “alto oleico”.

IAC OL 3: Indicado para sistemas tecnificados, porte rasteiro, ciclo de 130 dias, com melhor ajuste do que os anteriores nas áreas de renovação de cana; vagens com duas sementes de tamanho médio a grande, película de cor rosada; potencial produtivo: até 7.000 kg ha-1; as sementes possuem a característica “alto oleico”.

IAC OL 4: Indicado para sistemas tecnificados, porte rasteiro, o ciclo  de 125-130 dias, permite melhor ajuste do seu cultivo nas áreas de renovação de cana; vagens com duas sementes de tamanho médio (padrão Runner), película de cor rosada; potencial produtivo: até 7.000 kg ha-1; as sementes possuem a característica “alto oleico”.

Para efeitos de previsão de custos e lucratividade, a produtividade média esperada para o cultivar IAC Tatu ST situa-se entre 3.500 e 4.000 kg ha-1  de vagens, nas condições do estado de São Paulo. Para os cultivares rasteiros aqui relacionados, a média de produtividade a ser considerada situa-se entre 4.500 e 5.000 kg ha-1.

Plantio

As sementes de amendoim são vulneráveis a infecções por fungos de solo na sua germinação e emergência; assim, é imprescindível o seu tratamento com fungicidas. A melhor época para o plantio, nas condições climáticas do estado de São Paulo é entre outubro e novembro. O cultivar IAC Tatu ST pode ser plantado em uma segunda época (fevereiro-março), mas a cultura fica sujeita a estiagem no final do ciclo; não se recomenda o plantio de cultivares rasteiros nesta época.

Controle de pragas

O tripes-do-prateamento, (Enneothrips flavens Moulton) é a praga de maior expressão econômica da cultura no estado de São Paulo; a lagarta-do-pescoço-vermelho (Stegasta bosquella Chambers) também é frequente e pode causar danos significativos às plantas; ambas atacam os brotos (folhas jovens) prejudicando o crescimento da planta.

O tripes pode ser controlado quimicamente através do tratamento das sementes com tiametoxan ou imidacloprid e, após 30 dias da semeadura, com pulverizações foliares de neonicotinoides ou organofosforados, a cada 15 dias. Sem o tratamento das sementes, as pulverizações devem iniciar-se aos 10-15 dias após a semeadura.

Quando as condições permitem, o controle de tripes pode ser realizado através de monitoramento do inseto por amostragens de folíolos, avaliando-se a infestação para determinar a necessidade de aplicação do inseticida. Neste caso, em cultivares eretos, recomenda-se a pulverização quando 30% de folíolos apresentarem o inseto e, em cultivares rasteiros, quando a infestação for de 40%. 

No caso da lagarta do pescoço vermelho, o controle químico é feito com inseticidas à base de piretróides ou organofosforados. No controle por monitoramento, recomenda-se realizar a pulverização quando o nível de infestação atingir uma lagarta a cada 5 ponteiros amostrados.

Outros insetos que podem eventualmente causar danos à parte aérea são cigarrinhas, ácaros e outras espécies de lagartas, controlados, quando no seu aparecimento, com inseticidas apropriados. Infestações de larvas de Diabrotica e percevejos (castanho e preto) podem causar danos às raízes ou às vagens e sementes em formação, no solo. Os danos causados pelas larvas de Diabrotica podem ser prevenidos através do controle dos insetos adultos, via foliar. O percevejo-preto pode causar prejuízos significativos, pois danifica os grãos em formação. Em regiões ou ambientes em que a sua ocorrência é frequente, deve-se monitorar o inseto  escavando o solo a 30 cm em diversas áreas ao longo da cultura, quando esta estiver na fase de enchimento de grãos; encontrando-se 2 insetos, recomenda-se a aplicação de clorpirifós no solo, em jato dirigido. 

Colheita

Na época da maturação, e conhecendo-se o ciclo do cultivar, monitorar constantemente o campo e amostrar plantas observando as vagens e grãos para definir o melhor momento da colheita. Para o cultivar IAC Tatu ST e outros do tipo Valência, efetuar o arranquio das plantas quando 70% das vagens apresentarem o característico manchamento escuro em seu interior. Para cultivares rasteiros, iniciar o arranquio quando 60% das vagens apresentarem escurecimento da endoderme (superfície da casca logo abaixo da epiderme).

Em culturas tecnificadas, o arranquio e enleiramento das plantas são realizados através de máquinas arrancadoras/invertedoras. Em plantios familiares, efetuar o corte da raiz abaixo das vagens com uma lâmina tracionada por animal ou trator, enleirando as plantas manualmente, com as vagens voltadas para cima. As plantas devem permanecer enleiradas ao sol até secagem completa, quando não há secagem artificial. Havendo secagem artificial, o período de secagem no campo é menor, o suficiente para permitir o despendoamento com a máquina recolhedora.

A secagem artificial pode ser feita em secadores tipo silo ou carretas com fundo perfurado. Em ambos os casos o ar é forçado entre as vagens depositadas a granel no compartimento de secagem.

Rotação de culturas

O amendoim é eficiente em aproveitar a adubação residual da cultura anterior, além de ser praticamente autossuficiente em nitrogênio via fixação simbiótica. A cultura também é conhecida pela sua tolerância a diversas espécies e raças de nematóides, contribuindo para reduzir a população desses patógenos em áreas infestadas. Em São Paulo, o seu cultivo  é conduzido  predominantemente em rotação com cana-de-açúcar e pastagens. O seu plantio nas áreas de renovação de cana propicia à cultura principal, entre outros benefícios, a redução da infestação de plantas daninhas, além de deixar resíduos de nutrientes no solo, contribuindo para reduzir os custos de implantação dos canaviais. No caso do plantio em rotação com a cana, é necessário que os cultivares de amendoim sejam de ciclo compatível com a duração do período de renovação do canavial.

Controle preventivo da aflatoxina

A aflatoxina é uma substância tóxica cancerígena para seres humanos e animais, que pode estar presente no amendoim e seus derivados; ela é produzida por fungos do gênero Aspergillus e Penicillium que sobrevivem naturalmente no solo e podem infectar o amendoim e produzir a toxina, tanto antes como depois da colheita, e durante o armazenamento.

As infecções por esses fungos, quando o amendoim ainda está no solo, são especialmente favorecidas por períodos de estiagem durante a fase de maturação das vagens; assim, regiões muito propensas a estresse hídrico devem ser evitadas; em contrapartida, o uso de irrigação propicia condições favoráveis para a produção de amendoim com qualidade, além das práticas preventivas a serem seguidas.

Para a produção de amendoins isentos desta toxina, diversas medidas devem ser adotadas: a) controlar pragas e doenças das plantas, para produzir vagens sadias e resistentes a esses fungos; b) colher o amendoim quando estiver plenamente maduro e, após o arranquio das plantas, enleirá-las com as vagens voltadas para cima, sem contato com o solo; c) secar o amendoim colhido até que a umidade dos grãos seja reduzida para 8%; d) em sistemas tecnificados, o uso de secadores artificiais é a prática recomendada; em pequenas produções familiares, a secagem das vagens, depois de retiradas das plantas, pode ser feita eficientemente em terreiro; e) nunca ensacar, empilhar ou armazenar amendoim com mais de 8% de umidade; f) após o descascamento, proceder a seleção dos grãos, retirando os danificados, chochos, imaturos ou de má aparência.

Para maior garantia da sanidade do produto, recorrer a laboratórios especializados em análise de aflatoxina; para os consumidores, adquirir preferentemente produtos que contenham selo ou certificado de qualidade.  

Autores

Ignácio José de Godoy – Centro de Grãos e Fibras / IAC, Campinas, SP

Denizart Bolonhezi – Polo Apta Centro Leste, Ribeirão Preto, SP

Marcos Doniseti Michelotto – Polo Apta Centro Norte, Pindorama, SP

Everton Luis Finoto – Polo Apta Centro Norte, Pindorama, SP

Rogério Soares de Freitas – Polo Noroeste Paulista, Votuporanga, SP

 

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